“O extremismo cresce porque as pessoas não estão satisfeitas com as suas vidas. Resolver problemas só se faz com o diálogo e a sensatez do Volt Portugal”

Inês Bravo Figueiredo, cabeça de lista por Lisboa do Volt Portugal, tenta conquistar para o partido um (novo) espaço na realidade política nacional. "Somos a antítese dos movimentos populistas", resume a candidata

5 de mar de 2024

A estreia do Volt Portugal nas legislativas de 2022 ficou aquém das expectativas – apenas 6 254 votos –, mas a cúpula daquele que é o primeiro partido pan-europeu acredita que, dois anos depois, a formação “está muito mais preparada” para ir às urnas.

Ana Carvalho e Duarte Costa continuam na coliderança, mas o principal rosto do Volt Portugal nesta campanha é o de Inês Bravo Figueiredo, de apenas 29 anos, cabeça de lista pelo círculo de Lisboa, que se destacou no debate dos partidos sem assento parlamentar, transmitido pela RTP1.

O Volt Portugal apresenta-se com uma posição ao centro, não se reconhecendo no binómio tradicional esquerda-direita, rejeitando o radicalismo e o populismo. “Queremos mostrar que é possível fazer política de forma construtiva, com foco no futuro, ouvindo as pessoas, as diferentes forças partidárias, para que haja um compromisso para o futuro”, diz Inês Bravo Figueiredo.

Em entrevista à VISÃO, a candidata aponta “o diálogo” a “a sensatez” como receita para o futuro. E promete ser a “voz” vigilante para que o próximo Governo execute, eficazmente, os 45 mil milhões de euros reservados a Portugal através do PRR.

Nas segundas legislativas em que o Volt Portugal participa – as primeiras foram as de 2022 –, o partido apresenta-se com o slogan “Paixão pelo bom senso”. Numa fase em que os partidos radicais populistas crescem, não só no País, mas em toda a Europa, não é difícil conquistar um lugar no espaço político?
O Volt Europa foi criado na sequência do Brexit. A nossa primeira razão de existência sempre foi dar uma resposta aos movimentos radicais e populistas. Não nos deixamos cair numa política de ataques, de propostas fáceis, de políticas que não são realistas, porque o queremos fazer é exatamente o oposto. Queremos mostrar que é possível fazer política de forma construtiva, com foco no futuro, ouvindo as pessoas, as diferentes forças partidárias, para que haja um compromisso para o futuro. Podemos dizer que somos a antítese dos movimentos populistas

O Volt Portugal afirma-se como um partido com projetos para o futuro. Em Portugal, percebe-se que os mais novos também estão a ser seduzidos por partidos radicais e populistas. É possível reverter esta tendência?
É verdade, os jovens são um alvo desses partidos mais populistas e, é claro, temos de falar também com eles. Temos propostas muitos sólidas, que vão trazer respostas concretas a essas pessoas…

Mas como se pode combater esta pulsão radical populista?
Através das nossas propostas. O que queremos fazer é o oposto desses movimentos. Os movimentos extremistas são muito apelativos, porque separam as pessoas em grupos, porque culpam os outros pelos problemas, e isso não é real. O que pretendemos fazer é mostrar que a solução é olhar para os problemas de frente, com tempo, com evidências científicas e, sobretudo, com propostas que permitam, de facto, melhorar a vida das pessoas. Em Portugal, o extremismo cresce porque as pessoas não estão satisfeitas com as suas vidas. É preciso resolver problemas e isso só se faz com diálogo e sensatez.

O Volt Portugal não se assume nem de esquerda nem de direita. Este posicionamento ao centro não pode confundir o eleitorado, passar uma ideia de indefinição?
O Volt não está indefinido, antes pelo contrário. Dizemos que não somos nem de direita nem de esquerda, sim. O que queremos dizer é que temos propostas de ambos os lados, propostas demonstradas, que funcionam porque já funcionaram noutros sítios, e há evidências científicas que as justificam. Mas estamos claramente definidos: somos sociais-liberais verdes e temos um programa com 180 páginas com propostas muito concretas. O que não é possível é simplificar o partido nas caixas que são conhecidas. Temos uma oferta política diferente daquela a que as pessoas estão habituadas, e é por isso que o voto no Volt Portugal é diferenciador. 

A Inês Bravo Figueiredo tem insistido no tema e na importância do pacote de 45 mil milhões do PRR. É um tema que o Volt Portugal vai continuar a destacar?
Este tema é muito importante para Portugal. As verbas do PRR já estão atribuídas, já sabemos onde as vamos gastar. O que temos, agora, de nos certificar é que este dinheiro seja corretamente executado, o que tem sido a grande dificuldade, uma vez que Portugal recebe fundos europeus, mas ficam sempre alguns por executar. Agora, estamos a receber muito mais dinheiro do que alguma vez recebemos, falamos de 45 mil milhões de euros, e, portanto, vamos precisar de reforçar as nossas competências para executar este investimento, ou não vamos conseguir fazê-lo e teremos de devolver o dinheiro. Portanto, o primeiro tema que o Volt Portugal quer levar à Assembleia da República é, precisamente, a garantia de que temos pessoas competentes na função pública para executar este plano, pessoas com autonomia, competência, seriedade e respeito pelos portugueses e por esta oportunidade que a União Europeia nos está a dar. A nossa voz é fundamental para recordar as pessoas que vão formar Governo – PS ou PSD – da importância desta oportunidade.

Que outras bandeiras do Volt Portugal podemos destacar?
As nossas bandeiras são sociais, liberais e verdes. A nossa principal bandeira, que queremos destacar nestas eleições, é o plano ambicioso, mas possível, para atingirmos salários europeus em dez anos. É um plano que gostávamos de ver implementado, que passa por incentivar as empresas, trazer indústrias de futuro para o País, trabalhar na nossa infraestrutura… Ao mesmo tempo, o Volt Portugal não acredita que é possível crescer economicamente se não tivermos uma aposta forte nas pessoas, por isso temos bandeiras na área da habitação, saúde e educação – criar soluções que permitam às pessoas ficar no País e construir o futuro.

Como está a correr a campanha? E, para concluir, o que seria para a Inês Bravo Figueiredo um bom resultado no dia 10 de março?
Estamos extremamente otimistas e muito contentes com o crescimento do Volt Portugal nesta campanha. Logo a seguir ao debate, tivemos um influxo de membros, que já representam 10% da nossa base de apoiantes. Já sou reconhecida na rua, o que não acontecia antes… As pessoas dão-me os parabéns pelo debate, temos recebido muitas mensagens de apoio nas redes sociais… As coisas estão a correr muito melhor do que esperávamos e estamos muito satisfeitos. A nossa expectativa é conseguirmos eleger um deputado para o Parlamento.