28 de Maio de 1926
Relembrar os ecos da História
Este mês celebra-se o centenário de um dos dias mais sombrios do nosso país, a queda da Primeira República com o golpe militar de 1926, que serviu de advento à ditadura do Estado Novo.
É, portanto, de uma ironia igualmente negra, passado este século, que um clima muito parecido se verifique, protagonizado por forças que, apresentando as devidas diferenças, reciclam muitas das ideias e se aproveitam do medo e incerteza que vivemos para trazer de volta o obscurantismo, ameaçando as nossas liberdades e pondo em causa o nosso futuro em Democracia.
Neste contexto, parece-nos fundamental olhar para este dia sem pudores, e para as condições que levaram ao infame Golpe de Estado, de forma a aprendermos com os erros dos nossos antecessores e evitar que forças políticas do presente tenham a rédea demasiado curta para retirar este esqueleto do armário.
Muito se pode dizer sobre a Primeira República e sobre o contexto português no início do século passado, em particular no pós-Grande Guerra, mas o grande fio condutor para nós é a enorme instabilidade política, marcada por constantes trocas de governo (45 governos constitucionais em 16 anos), um assassinato presidencial em 1918. E claro, a Noite Sangrenta, de 19 para 20 de Outubro de 1921, em que um grupo de civis e militares assassinou várias figuras do regime.
A isto somam-se políticas regidas mais pelo fervor ideológico do que pelo pragmatismo e moderação, tomadas pelas elites das grandes cidades, que se demonstravam tremendamente ignorantes da realidade do resto do país e procuravam também servir primariamente os seus interesses.
É triste que, subtraindo a violência política, que felizmente, por enquanto, já não vai sendo nosso apanágio, esta imagem que descrevemos nos seja tão familiar, com sinais já claros do regresso dos extremos às ruas e ao horário nobre dos nossos media e, inclusive, da Assembleia da República.
Portanto, em conclusão, apesar da situação no presente ser mais estável em termos da degradação das instituições democráticas, é necessário que os nossos decisores actuais sejam mais responsáveis que os da Primeira República, que promovam a estabilidade e a concórdia na nossa sociedade e que tomem a necessidade de reformas urgentes, com seriedade, seja na economia ou nas instituições e, acima de tudo, que sejam lanternas de esperança no futuro, para que os extremos não possam colar o Centrismo e o bom senso à estagnação e nos impinjam “pílulas negras” e desespero.
Da parte do Volt Portugal, continuaremos a nossa postura de pragmatismo progressista e humano, assente numa cidadania activa, vibrante e plural, que clama por uma nova geração de políticos que tragam novas ideias e não se limita a reciclar receitas ideológicas do passado, que têm pouca ou nenhuma base científica ou empírica. Só assim poderemos combater as forças inimigas da Liberdade ou do Progresso, que nos querem atirar de novo para as trevas, como os militares acabaram por fazer há um século atrás.
Pedro Caetano Pires, 28 de maio de 2026